sábado, 19 de fevereiro de 2011

Qual teu plano de saúde ?

Dando continuidade ao presente exercício de articulação e discussão sobre questões da cultura, da clínica, do mercado de saúde, trago como questionamento: Qual  teu plano de saúde ?
Imagino qual tenha sido a conexão mental para esta pergunta e provávelmente venha ao nosso pensamento o nome do plano contratado com alguma empresa de saúde. Bem, pelo menos da maioría de nós, acredito que seja este o link imediato. Isto traz à tona, me parece, uma lógica inscrita no mercantilismo como sustentando nossa saúde. Um plano de saúde, na maioría das vezes, pensado como um contrato de prestação de serviços disponíveis mediante pagamento de mensalidade que estará, mês a mês, cobrindo eventual urgência. Plano que disponibiliza um leque de profissionais e exames, com ou sem possibilidade de internação hospitalar. Questões que ficam inscritas com muita habilidade pela publicidade destas empresas que ficam tomadas com a imagem de garantia e segurança diante de infortúnios ou dificuldades com a saúde da família. Há de estar sendo considerado, o quê isto que para alguns fica situado como sacramentado dever de sustentar tais pagamentos em prol da saúde, esteja sendo tomado como foco de entendimento? Imagino até que um certo incômodo fique instigado, caso apontarmos que talvez todo o esforço por ter a cobertura do plano da saúde paga, não seja o suficiente para usufruí-la. Nossa pergunta inicial que me parece muito interessante, em nenhum ou muito raras vezes, faz questão no momento de acordo entre contratantes e contratados, ou seja: Qual  teu plano de saúde ?
Bem, se a direção de pensar a saúde não se volta aos sujeitos, questionando-os sobre suas atitudes pessoais para com sua saúde no momento da contratação, como é que os planos empresariais tem tido tal procura como a garantia pela saúde ?  Talvez exatamente por algo velado se dar aí, um certo conchavo - tu me garantes que quando eu vier a precisar, tu me atendes com o que há de melhor na linha da ciência e suas descobertas, que eu te pago. Os nossos reais porquês, aqueles que não constam no contrato, talvez sejam os mais difíceis de nos depararmos. Assim, algo fica alienado numa lógica que não acessa o sujeito em cada um de nós, pagamos o que vier a nos faltar ( a saúde ). Ou seja, o questionamento aos sujeitos em nós em relação ao quê de nosso desejo continua em desacordo à algum possível plano pessoal de saúde fica velado. Há então um contrato que não está sustentado no sujeito que deseja, mas numa contratação de subsídios para quando a saúde lhe faltar. Questão que de uma certa maneira continuará a afastar de um questionamento e escuta indispensáveis para realmente pensarmos em prevenção, escutar a repetição,  a cronicidade de alguns quadros para direcionar interdisciplinarmente para uma aposta na cura, com a presença do sujeito no cliente do convênio ou no usuário do SUS. Desafios da atualidade com os quais possamos talvez conviver em planos de saúde futuros. Quem sabe ?!

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